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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Geração Delivery
Elimar Silva Melo[1]

Na qualidade de professor, escuto muito se dizer que esta geração é “mais inteligente” que as gerações anteriores e que são mais capazes e rápidos de tudo que já se tenha visto na humanidade. Verdade! Porém, isso não é um privilégio da referida Geração.

Tenho estudado a Geração Y há cerca de cinco anos, por vários motivos que vão desde a curiosidade para saber como é o comportamento comum dessa turma, como melhor contratá-los, como melhor estimulá-los e assim por diante.

Cabe dizer que eles não têm “mais inteligência” que outras gerações; é que desenvolveram e desenvolvem outros tipos de habilidade e comportamentos que facilitam a vida na lida com as novas tecnologias e dos novos desafios. Desafios esses que não são privilégio das pessoas da referida Geração, é que eles desenvolvem mais rapidamente as respostas mais adequadas para as novas perguntas que são feitas, percebem?

Não é uma questão, apenas, de maior ou melhor inteligência, é questão de necessidade de novas respostas para perguntas novas ou novas respostas para novas formas de se fazerem as “velhas” perguntas.

Observem... Por exemplo: quando quero um livro (sou da Geração X, quase um baby booner) vou à livraria e vasculho os títulos que interessam; “degusto” algumas obras que não conheço, pergunto para o livreiro, normalmente o Álvaro Gentil, alguma referência ou coisa semelhante. Quando muito... se tenho certeza da compra...peço a obra através da Americanas.com

Essa turma entra no computador e “baixa” uma dezena de títulos correlatos em trinta minutos; lê um compêndio do que lhes interessa e está, rapidamente, preparada para muitas respostas. Eles; nossos filhos, nossos alunos e nossos subordinados, estão melhores preparados para esses desafios.

Bem, agora vão duas das muitas preocupações que tenho a respeito do comportamento da Geração Y para as famílias, empresas e escolas.

A primeira diz respeito à profundidade “de um pires” que a maioria deles demonstra em quase tudo que fazem. São rasos em suas argumentações e exposições de motivos; sem “sustança” (como dizia minha avó) em quase tudo que fazem.

As relações são periféricas e “virtuais”, onde o contato é melhor à distância que no olho a olho. Essa é uma preocupação que deve afligir ás famílias, pois tornam a maioria deles egoístas e individualistas em médio prazo.

Essa mesma falta de profundidade ressoa nas organizações empresariais e nas escolas. Quando leio trabalhos de alguns, perfeitamente copiados da internet e interpretações de textos (e contextos) vazias de visão crítica da realidade; fico ainda mais temeroso. Pois, a falta de profundidade leva à muitas decisões rápidas e inconseqüentes nas organizações. A ausência de pesquisa séria (não falo de “busca” na rede) e compromisso crítico com o que se fala e o que se propõe, põem em risco resultados importantes para as mesmas.

O segundo aspecto diz respeito ao comodismo. Diferente de comodidade, o comodismo é um mal a ser evitado. Chamo de Geração Delivery em função disso, pois temos muitos benefícios com as comodidades do mundo atual proporcionadas pelas “entregas em domicílio” de quase tudo que está disponível para a venda.

Acontece é que esse conceito foi capaz de infectar a convivência das pessoas a tais níveis que boa parte dessa geração é séria candidata aos malefícios da Preguiça; um pecado Capital, tamanha é sua seriedade. Digo isso não de forma religiosa, mas de forma reflexiva sobre os hábitos da humanidade.

Poucos são os jovens que têm iniciativa de criar “fora dói quadrado” e, pior, menos são os que além da iniciativa não têm “acabativa” (plagiando outro articulista). Ou seja, não vão à frente com o que iniciam.

A desculpa de que isso favorece a disposição do tempo para fazerem outras coisas já não cola mais, pois mesmo com as facilidades deliveries eles permanecem fazendo as mesmas coisas.

O fato das facilidades modernas de se ter quase tudo ao alcance do mouse faz com que a criatividade e a capacidade de realização fiquem limitadas. E essa é uma preocupação dos profissionais de Gestão nas organizações, dos professores nas escolas de ensino fundamental, médio e graduações.

Também nas pós graduações essas duas preocupações que dividi acima nos assombram, pois parte dos discentes não busca a especialização para aprofundamento e querem, cada vez mais, facilidades no processo e menores exigências do corpo docente e das Instituições.

É difícil classificar uma geração inteira através de padrões de comportamento, contudo a recorrência deles tem sido alvo de observação de muitos estudiosos. Recentemente, realizei uma pesquisa em escolas de graduação e empresas para apurar o comportamento da Geração Y. E é nela, além da minha experiência pessoal em gestão e na Educação, que baseio minhas observações.

O resultado completo da pesquisa sairá em breve e será tema de outra conversa.





[1] Coordenador Administrativo das Faculdades Arnaldo e professor da FDC


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